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Alexandre Garcia: 'Brasil não está em guerra, a não ser consigo mesmo'

Comentarista avalia drama dos brasileiros que dependem da saúde pública.
'Se precisar, pode não ter – e morrer com uma liminar na mão', dispara.

Imagina ter que recorrer à Justiça para que o Estado cumpra o que é dever constitucional dele, e é um direito também constitucional dos cidadãos, mas nem assim o serviço de saúde é prestado.

Imagine um país em guerra, com dificuldades de administrar a saúde pública. Só que o Brasil não está em guerra, a não ser consigo mesmo, como se vê o que acontece com a saúde pública, assim como a educação pública e a segurança pública.
Pessoas morrendo em filas, pacientes sendo atendidos no chão, como em um front de batalha ou em uma grande catástrofe. E não é de agora; vem piorando há muito tempo sem que os governantes consigam corrigir a incapacidade de atender a todos que precisam.
E os que mais sofrem são os que já tiveram dificuldades a vida toda, os que não têm como serem levados aos melhores hospitais, os que não podem pagar plano de saúde.
E se alguém pensa que não pode ficar pior, é bom lembrar do corte recém-anunciado de R$ 11,8 bilhões no orçamento federal da saúde. O marketing do Mais Médicos tampouco gerou efeitos que se notem, a não ser nas contas de Cuba.
É sempre necessária a medicina preventiva, sim. Mas a escola é a parte da saúde que precisa ensinar higiene e alimentação saudável. Porque se precisar de serviço público de saúde, pode não ter – e morrer com uma liminar na mão.